Poemas sobre o mar

Poemas sobre o mar são para inspirar, contemplar e perceber a grandeza que há em tudo à nossa volta

Hoje compartilhamos alguns poemas sobre o mar. Para te inspirar a ver a vida com humildade e gratidão, os versos são parte do “Livro do Mar” de Santiago Bernardes, a ser lançado.

“O Livro do Mar é constituído de pequenos ‘contos’ baseados na memória das coisas que eu ouvia dos pescadores e das gentes das praias, não só daqui, mas de muitos lugares.

Coisas que eu via nas minhas andanças de guri praieiro, solto por estas praias e matas, entremeadas com as leituras precoces da infância e de toda a vida e as andanças posteriores de viajante por esse Brasil de muitas praias e matas.

Estão ali lendas, causos, histórias, imaginações, canoas, pequenas e de voga, notícias, acontecimentos, lembranças, invenções, citações, misturadamente tudo, como as águas que no fundo são um só mar de tempo”, diz Santiago.

Poemas sobre o mar

“As ilhas refletiam longamente sobre a solidão. E em silêncio existiam. Num tempo em que os barcos viajavam sozinhos. A terra de longe escutava o rumor dos peixes livres, o sem fim do voar dos rumos das aves, a voz de água doce dos rios dialogando com a voz salina do mar e essas conversas eram sentidas pelos antigos. E compreendidas. Na pele.”

 
“Uma canoa apareceu na areia. Velha, encharcada, carcomida, pegada de cracas e de anos. Vazia. Pegaram e colocaram acima da maré. No jundu. E ali ficou. Secou. Silenciosa e pura madeira retornada para descansar na terra. Parecia olhar o horizonte, como se esperasse algo… Nas tardes de vento longo, a madeira rangia.”

 
“Chovia tanto nos pássaros que eles voaram para o sol. A chuva que ficou batendo de mansinho na janela do menino pescador trazia o gosto do correr pelas ruas vazias. Os peixes pulavam tanto no lombo do mar que as canoas enchiam-se deles, sem precisar jogar as redes. Diziam que era por causa da lua. O menino quis que a lua influenciasse os anos e eles pulassem do lombo do tempo trazendo a mãe, a avó, a tia… sem precisar usar as redes da poesia.”

 
“As mulheres é que sabiam mais do mar. Do que os homens. Menos apenas do que os peixes. Elas sabiam costurar os caminhos na água pros barcos voltarem. Com palavras e silêncios. Nas madrugadas de vento grande e grandes passamentos. Elas sabiam convencer as ondas a parar. Sabiam que as águas têm sede de almas às vezes e pelas almas dos filhos ofereciam as delas no lugar.”

 

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Pela Redação do Grato Por Tudo, com informações do Palavrando. Foto Steffen Duxa.

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